Grandes empresas no coworking: o fim do estereótipo do freelancer

16/09/2026 -Mercado e tendências
Equipe de uma grande empresa reunida em sala privativa de coworking, em um ambiente corporativo moderno e profissional.

Por muito tempo, falar em coworking significava pensar em freelancers, profissionais autônomos e pequenas startups dividindo mesas. Esse público continua presente, mas já não representa, sozinho, a realidade desses espaços.

Empresas médias e grandes também passaram a incorporar coworkings e escritórios flexíveis às suas operações. Neste artigo, você vai entender essa mudança de perfil e conhecer grandes marcas que já utilizam esse modelo de trabalho.

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Afinal, coworking é só para freelancer?

Não. O coworking deixou de ser voltado para profissionais independentes, principalmente, e passou a fazer parte da estrutura de trabalho de várias empresas de diferentes portes.

Um censo divulgado em 2018, mostrou um perfil ainda bastante associado ao empreendedor e ao profissional independente:

  • 43% dos usuários eram proprietários de empresas
  • 31% profissionais independentes
  • 26% funcionários de alguma empresa

Mas, o cenário atual é bem diferente. Segundo dados do Censo Coworking 2025, da Woba, setores como financeiro, vendas e tecnologia já correspondem 57,5% da ocupação dos coworkings brasileiros. O próprio levantamento mostra um mercado em expansão, com 3.886 espaços no país e crescimento de 30% em 2025.

Vale deixar claro que isso não significa que o freelancer deixou o coworking. O que mudou foi a diversidade de quem está lá. Profissionais independentes agora dividem esses espaços com equipes e funcionários de empresas que também encontraram no modelo uma alternativa ao escritório convencional.

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Pessoas trabalhando em mesas compartilhadas em coworking e se divertindo ao mesmo tempo

Coworking não significa apenas mesa compartilhada

Parte do estereótipo do coworking vem da própria imagem que se criou do lugar: um grande ambiente aberto, com várias pessoas trabalhando lado a lado. Mas esse é apenas um dos formatos possíveis. Hoje, os espaços de coworking se tornaram escritórios flexíveis, e podem reunir:

A própria evolução do público fez com que salas sob demanda e ambientes climatizados deixassem de ser diferenciais para se tornarem parte básica da estrutura desses espaços, segundo a Woba.

Escritório flexível é uma ótima opção para grandes empresas em coworkings

Em vez de manter uma sede convencional com tamanho e custos fixos, a empresa utiliza uma estrutura pronta e adapta o espaço contratado à sua necessidade, seja uma estação ocasional, uma sala privativa ou ambientes para reuniões e encontros de equipe.

Para empresas maiores, inclusive, a sala ou o escritório privativo tende a ser mais adequado do que a mesa compartilhada, principalmente quando existem equipes trabalhando juntas ou informações que exigem mais privacidade. O que já era observado na adoção corporativa de coworkings alguns anos atrás.

Ou seja, o coworking continua atendendo quem trabalha sozinho, porém seu público e sua estrutura se ampliaram. Hoje, coworking e escritório flexível também fazem parte das opções de empresas que precisam acomodar equipes sem necessariamente manter toda a operação em um escritório tradicional.

Quais grandes empresas já usam coworking (e como elas usam)?

Os coworkings já são usados por empresas de diferentes setores como tecnologia, finanças, saúde e indústria. E os casos mostram algo importante: as grandes empresas não utilizam esses espaços todas da mesma forma. Algumas distribuem funcionários por diferentes cidades, outras mantêm escritórios privativos e há quem use a estrutura para reuniões ou simplesmente para expandir uma operação sem abrir uma sede própria.

Confira algumas grandes marcas que utilizam coworking e escritórios flexíveis em sua operação:

  • iFood:a empresa brasileira de tecnologia (que virou sinônimo de aplicativo de comida delivery no Brasil) já utilizou espaços flexíveis em mais de 220 cidades, segundo dados divulgados pela Woba. O modelo acompanha uma operação distribuída, permitindo que equipes tenham acesso a estrutura profissional em diferentes regiões do país
  • XP: a empresa do setor financeiro adotou escritórios flexíveis para ampliar sua presença pelo Brasil. A operação já alcançou mais de 180 cidades, incluindo o uso de coworkings e escritórios privativos
  • Hospital Israelita Albert Einstein: a instituição utiliza escritórios compartilhados em sua estratégia de expansão da telemedicina. Segundo a Woba, a operação chegou a mais de 67 cidades, com 80 posições de atendimento instaladas
  • Cielo: a empresa de meios de pagamento também adotou escritórios flexíveis para sua operação comercial. O modelo já envolveu mais de 950 escritórios em mais de 220 cidades, além de salas para reuniões e eventos
  • Stellantis:o grupo automotivo recorreu a escritórios flexíveis durante a reorganização de sua estrutura, utilizando esses ambientes para operações comerciais e reuniões com equipes e revendedores em mais de 65 cidades

Esses exemplos também ajudam a entender que coworking corporativo não é simplesmente colocar uma equipe inteira em mesas compartilhadas.

Entre as empresas da Global Fortune 500 (ranking que lista as 500 maiores empresas do mundo) que utilizam a rede da WeWork 92% optam por escritórios dedicados. Em maio de 2026, 124 das 500 maiores empresas do mundo mantinham algum espaço na rede e os escritórios privativos concentravam aproximadamente 90% dos assentos contratados por elas.

Empresas maiores precisam de privacidade, controle de acesso, segurança da informação e espaços onde as equipes possam trabalhar juntas. Por isso, hoje em dia, o coworking corporativo se tornou um escritório próprio dentro de uma estrutura compartilhada, o que vai muito além da ideia clássica de coworking, de várias pessoas trabalhando lado a lado em uma grande mesa.

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E lá fora, o movimento é o mesmo?

Sim. A entrada de grandes empresas nos escritórios flexíveis já faz parte de uma mudança mais ampla na forma como as corporações organizam seus espaços.

O Global Trends in Flexible Office 2025, da Cushman & Wakefield, mostrou que 55% dos ocupantes corporativos pesquisados já utilizavam escritórios flexíveis. Entre todos os participantes, 17% afirmaram que, além de utilizar o modelo, pretendiam ampliar sua presença nesses espaços.

E essa mudança fica ainda mais evidente quando olhamos para empresas maiores. Segundo dados da pesquisa Future of Work 2025, da JLL, 47% das companhias com mais de 1000 funcionários já incluem espaços flexíveis em seu portfólio imobiliário, contra 29% em 2022.

Confira empresas internacionais que utilizam coworking e escritórios flexíveis:

  • Amazon: em 2025, depois de ampliar o retorno presencial, a companhia contratou espaço adicional da WeWork em Manhattan. A operadora já administrava outros escritórios utilizados pela Amazon na cidade.
  • Allstate: a seguradora transferiu 1/4 de seus 54 mil funcionários corporativos para coworkings em 2024, dentro de uma reorganização mais ampla de seus escritórios.
  • Microsoft:é um exemplo mais antigo, mas ajuda a mostrar que o movimento começou antes da pandemia. Em Nova York, a companhia chegou a disponibilizar acesso à WeWork para cerca de 300 profissionais de sua equipe internacional de vendas, permitindo que trabalhassem mais perto dos clientes em diferentes pontos da cidade.
  • JPMorgan, Lyft e Pfizer: também aparecem entre as grandes companhias que utilizam espaços de coworking nos Estados Unidos, segundo levantamento citado pela Fortune.

Essas grandes empresas estão incorporando espaços flexíveis à estratégia imobiliária conforme a necessidade de cada operação, muitas vezes mantendo sedes tradicionais ao mesmo tempo.

É justamente por isso que o movimento não deve ser entendido como uma troca definitiva do escritório convencional pelo coworking. Para muitas grandes empresas, o escritório flexível virou mais uma opção para acomodar equipes, chegar a novas cidades ou até mesmo ajustar rapidamente a estrutura conforme a operação muda.

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Escritório flexível dividido em três cenas, representando redução de custos, expansão de empresas e adaptação ao trabalho híbrido.

Por que grandes empresas estão escolhendo o coworking?

Para grandes empresas, a escolha pelo coworking tem a ver com ganhar flexibilidade para administrar custos, expandir operações e adaptar os escritórios à forma como as equipes trabalham hoje. Entenda o que está por trás dessa decisão:

Redução de custos

Manter um escritório próprio envolve diversos custos além do aluguel:

  • Mobiliário
  • Reformas
  • Internet
  • Energia
  • Limpeza
  • Manutenção
  • Recepção
  • Entre outros

Segundo Pedro Vasconcellos, cofundador da Woba, uma operação em escritório flexível pode custar de 30% a 50% menos do que um escritório tradicional. A diferença é justamente porque boa parte dessa estrutura já está pronta e seus custos são compartilhados.

Para uma empresa com equipes espalhadas por diferentes cidades, essa diferença pode ganhar ainda mais peso.

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Expansão mais rápida

O coworking também encurta o caminho entre decidir entrar em uma cidade e começar efetivamente a trabalhar nela. Isso porque a empresa pode contratar um escritório já pronto e iniciar a operação em pouco tempo, em vez de:

  • Procurar um imóvel
  • Negociar contrato
  • Fazer obras
  • Comprar móveis
  • Montar toda a infraestrutura

O que evita imobilizar capital em cada nova unidade e ainda facilita tanto a expansão quanto a redução da estrutura quando necessário.

Essa agilidade ajuda a explicar por que áreas como finanças, vendas e tecnologia estão entre as que mais utilizam escritórios flexíveis no Brasil, já que são operações que muitas vezes precisam acompanhar clientes e equipes em diferentes regiões.

Mais sentido para o trabalho híbrido

O trabalho híbrido trouxe outra questão: quantas pessoas realmente usam o escritório ao mesmo tempo?

Se parte da equipe trabalha presencialmente na segunda e na quarta e outra parte vai na terça e na quinta, manter uma estrutura dimensionada para receber todos diariamente pode significar pagar por metros quadrados que passam boa parte da semana vazios.

O escritório flexível permite ajustar melhor essa estrutura à ocupação real. Dessa forma, a empresa pode combinar, conforme a necessidade:

  • Escritórios privativos
  • Estações de trabalho
  • Salas de reunião

Isso sem precisar manter uma sede maior apenas para atender aos dias de pico.

É por isso que, para muitas grandes empresas, a decisão sobre o espaço físico deixou de ser apenas uma questão imobiliária. Escolher onde e como as equipes trabalham passou a fazer parte da estratégia para crescer com mais agilidade, controlar custos e evitar estruturas maiores do que a operação realmente precisa.

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