Trabalhar demais pode mudar seu cérebro

Trabalhar demais se tornou um símbolo de sucesso e comprometimento, quase como um troféu no mundo moderno. Porém, isso pode causar alterações significativas na estrutura do cérebro, conforme apontado em estudo publicado em abril de 2025.
A pesquisa sul-coreana identificou alterações, especialmente, em áreas do cérebro ligadas à tomada de decisões e controle emocional.
Neste artigo, você vai entender o que mais a ciência descobriu sobre os efeitos do excesso de trabalho, como isso se conecta a quadros de depressão, ansiedade e fadiga mental, e por que ambientes mais equilibrados são essenciais para preservar sua saúde e sua carreira.
Quando o esforço vira sobrecarga
Se esforçar é importante, nenhum projeto de vida (pessoal ou profissional) cresce sem empenho, disciplina e constância. Trabalhar com seriedade, cumprir prazos, buscar excelência… tudo isso faz parte de uma trajetória saudável.
O problema é quando o esforço perde o limite e vira padrão.
Quando “dar o seu melhor” se transforma em nunca parar.
Quando o descanso vira culpa.
Quando o trabalho ocupa até os espaços que deveriam ser só seus.
Essa cultura que glorifica o cansaço, desvaloriza pausas e enxerga o profissional ideal como alguém sempre disponível ainda está presente em muitos contextos, onde a performance vale mais que o bem-estar, e o esgotamento é visto como parte do “pacote”.
O que significa “trabalhar demais” na prática
No estudo realizado por pesquisadores sul-coreanos, “trabalhar demais” foi definido de forma bem objetiva: mais de 52 horas por semana (número baseado nas leis trabalhistas da Coreia), mas na verdade, o excesso de trabalho nem sempre se mede apenas pelo relógio.
Trabalhar em excesso também significa:
- levar tarefas para casa com frequência,
- estar mentalmente preso ao trabalho até mesmo nos momentos de descanso,
- se sentir culpado ou ansioso quando tenta relaxar,
- ter dificuldade de dizer “não” a novas demandas, mesmo já estando sobrecarregado,
- abrir mão de hobbies, lazer e vida pessoal para “dar conta de tudo”.
A longo prazo, essas condutas podem resultar no desenvolvimento de quadros sérios como burnout, ansiedade, depressão e outras consequências que irão piorar muito a qualidade de vida. Se você percebe que está no limite, é hora de repensar: esforço é bom, até o ponto em que não custa saúde.
Por que ainda glamourizamos o excesso de trabalho?
Estar exausto é quase um distintivo de “gente esforçada”. Dormir pouco, responder e-mails de madrugada, não tirar férias, tudo isso virou sinônimo de comprometimento. Mas será que é mesmo?
Cultura do “hustle” e romantização do cansaço
A verdade é que criamos uma cultura que romantiza o cansaço e normaliza o esgotamento. A chamada hustle culture, ou cultura da correria, transformou a exaustão em status. Como se só merecesse sucesso quem vive à beira do colapso. Essa mentalidade é reforçada todos os dias: nas redes sociais, no discurso corporativo e até em elogios como “fulano veste a camisa”.
Em muitos casos, as empresas reforçam esse padrão. Dizem valorizar o equilíbrio, mas premiam quem está sempre online, quem responde rápido, quem diz “sim” a tudo. Assim, o ambiente de trabalho tóxico se disfarça de meritocracia, quando, na verdade, só está drenando a saúde emocional dos profissionais.
E por que continuamos aceitando isso?
Porque aprendemos que o nosso valor está no que produzimos. Porque trabalhar em excesso parece oferecer algum controle em meio à insegurança. E porque, para muitos, esse ritmo não é escolha, é sobrevivência.
Só que essa lógica tem um custo. E ele é alto.
A sociedade precisa repensar essa glamourização, pois descanso não é luxo, e não deve ser visto como tal. É uma condição para continuar criando, trabalhando e vivendo com saúde.
O que diz a ciência: excesso de trabalho afeta o cérebro
Em uma pesquisa inédita publicada em maio de 2025, cientistas sul-coreanos analisaram o cérebro de 110 profissionais da saúde por meio de ressonâncias magnéticas. Os participantes foram divididos em dois grupos: o que trabalhava até 51 horas por semana e o grupo com sobrecarga de trabalho: profissionais que ultrapassavam as 52 horas semanais.
Esse número não foi escolhido à toa: a legislação trabalhista da Coreia do Sul considera 52 horas o limite legal de jornada, justamente por ser o ponto onde os riscos à saúde aumentam consideravelmente.
O que aconteceu com quem trabalha mais de 52h por semana
Os resultados chamaram atenção: o grupo que trabalhava demais apresentou alterações estruturais significativas no cérebro, especialmente em áreas associadas à função executiva (como foco, planejamento e tomada de decisão) e à regulação emocional.
As análises mostraram um aumento no volume cerebral em regiões como:
- Giro frontal médio
- Ínsula
- Giro temporal superior
- Giro frontal superior
- Giro pré-central
- Opérculo rolandico
Essas áreas são fundamentais para regular emoções, gerenciar estresse e manter o desempenho cognitivo. O aumento de volume, segundo os autores, pode ser uma resposta neuroadaptativa ao estresse crônico, como uma tentativa do cérebro de “se defender” da pressão constante. Mas isso não é necessariamente uma boa notícia.
Adaptação ou sobrecarga?
Embora um aumento de volume cerebral possa parecer algo positivo, o estudo alerta: nem sempre isso significa melhora funcional. Em alguns casos, esse tipo de alteração está ligado à depressão leve, ansiedade e fadiga mental. Ou seja, pode ser um sinal de esgotamento.
Outras pesquisas já haviam mostrado que alterações na massa cinzenta ocorrem em pacientes com transtornos emocionais, e agora essas mesmas regiões aparecem alteradas em quem vive em estado constante de sobrecarga de trabalho.
Outros fatores que agravam o cenário são o estresse ocupacional e a privação de sono. Trabalhar longas horas, sem tempo adequado de descanso, afeta a qualidade do sono e aumenta o cortisol, o hormônio do estresse. Isso resulta em alteração no volume cerebral, lapsos de memória, dificuldade de concentração e queda de produtividade.
Como sair do ciclo: limites, apoio e mudanças reais
Reconhecer que está trabalhando demais já é um passo importante, e sair desse ciclo requer consciência, ação e, muitas vezes, coragem para mudar hábitos, rever prioridades e até reavaliar o ambiente ao redor.
Com algumas atitudes no dia a dia e ajustes na rotina é possível recuperar o equilíbrio sem abrir mão da sua ambição. Afinal, trabalho e saúde mental não precisam andar em lados opostos.
Como identificar que você precisa desacelerar
A melhor maneira de identificar se você está passando do limite é observar os sinais que o seu próprio corpo dá, tanto físicos quanto emocionais e comportamentais. Confira:
Sinais físicos
- Sono desregulado, insônia ou cansaço ao acordar,
- Dores de cabeça frequentes e tensão muscular,
- Imunidade baixa e adoecimentos recorrentes,
- Falta de energia mesmo após descansar.
Sinais emocionais e mentais
- Irritabilidade fora do comum,
- Sensação constante de sobrecarga ou ansiedade,
- Dificuldade de concentração e queda de produtividade,
- Pensamentos negativos frequentes ou sensação de incapacidade.
Sinais comportamentais
- Procrastinação em excesso,
- Compromissos sociais sendo evitados,
- Uso de comida, álcool ou redes sociais como forma de fuga,
- Incapacidade de “desligar” do trabalho, mesmo fora do expediente.
Escute o que dizem de fora
Além da autoavaliação, feedbacks espontâneos de amigos, colegas e familiares podem ser valiosos. Frases como “você anda diferente” ou “parece sempre cansado” não devem ser ignoradas, são sinais de que o desgaste está transbordando, e isso já está visível para outras pessoas.
Estratégias para recuperar o controle da rotina
Recuperar o equilíbrio começa com pequenas decisões conscientes, e isso requer força de vontade e limites claros. Algumas dicas:
Planeje com intenção
Organize sua semana pensando não só nas tarefas, mas em como você quer se sentir. Blocos de tempo, pausas programadas e horários fixos para começar e parar ajudam a reconstruir sua relação com o tempo e com você mesmo.
Pausas para recarregar
Pare por alguns minutos entre uma atividade e outra. Respire fundo. Levante da cadeira. Olhe pela janela. São micro-rituais que ajudam a clarear a mente e prevenir a sobrecarga emocional.
O ambiente influencia (mais do que parece)
Espaços organizados, silenciosos e bem iluminados reduzem o estresse e ajudam na concentração. Trabalhar em ambientes neutros e acolhedores faz diferença no foco e no bem-estar emocional, especialmente quando há separação entre o espaço de trabalho e de descanso.
É por isso que na Solution Indoor, cada detalhe dos nossos espaços foi pensado para apoiar profissionais e empresas na criação de rotinas mais saudáveis. Salas privativas, baias silenciosas, áreas de pausa e ambientes organizados: tudo para aliar produtividade e saúde, para uma rotina mais humana de trabalho.
Quando procurar ajuda
Além da mudança de rotina, é importante estar atento aos sinais de que o excesso de trabalho já deixou marcas mais profundas.
Sinais de alerta que não devem ser ignorados:
- Cansaço extremo, mesmo após dormir,
- Alterações constantes de humor, ansiedade, irritabilidade ou tristeza prolongada,
- Sentimento de desconexão, de “estar apenas sobrevivendo”,
- Falta de prazer nas coisas que você costumava gostar,
- Isolamento social, conflitos nos relacionamentos ou queda no desempenho no trabalho,
- Uso de substâncias (álcool, remédios ou comida) como escape emocional.
Se esses sintomas persistem mesmo após tentativas de desacelerar, é hora de buscar ajuda especializada. E lembre-se: terapia não é só para momentos de crise. É uma ferramenta poderosa de autoconhecimento e fortalecimento emocional.
Não tem plano de saúde? Procure clínicas-escola de psicologia (gratuitas ou com preços acessíveis) ou plataformas com atendimento online a preços reduzidos.
Sua rede de apoio também importa
Conversar com amigos, familiares ou colegas de confiança pode trazer alívio e perspectiva. Muitas vezes, quem está de fora percebe sinais antes mesmo de você. Não tenha medo de pedir ajuda prática ou emocional, seja para dividir tarefas ou simplesmente para ser ouvido sem julgamentos.
Recursos corporativos existem (e podem ajudar)
Se a sua empresa oferece programas de apoio psicológico, vale a pena conhecer. Alguns incluem sessões de terapia, orientação com RH ou até canais confidenciais para suporte. Mas lembre-se: sua saúde mental não deve depender apenas do ambiente de trabalho. Crie também sua rede de apoio fora dele.
Trabalho não precisa ser sinônimo de sofrimento
Trabalhar com dedicação é importante. Mas nenhum sucesso vale a sua saúde mental. Cuidar de você é também uma forma de cuidar do seu trabalho.
Ambientes mais humanos, com limites respeitados e espaços que favorecem o bem-estar, ajudam a preservar o que você tem de mais valioso: sua energia, sua clareza mental e sua saúde emocional.
Se você sente que precisa de mais equilíbrio na sua rotina profissional, comece pelo espaço onde você trabalha.
Na Solution Indoor, oferecemos salas fixas, coworkings e espaços privativos pensados para quem valoriza silêncio, estrutura e tranquilidade. Um ambiente acolhedor e profissional pode ser o primeiro passo para sair do ciclo da sobrecarga.
Agende uma visita e descubra como um novo espaço pode transformar seu jeito de trabalhar.