Modelo híbrido ou salário maior? O que os dados revelam

29/07/2026 -Mercado e tendências
Colaborador pensando entre modelo híbrido de trabalho ou aumento no salário.

Durante muito tempo, a remuneração foi considerada o principal fator na escolha de um emprego. Mas os dados mais recentes mostram que essa lógica está mudando.

Uma pesquisa realizada pelo Tax Group com 1.565 profissionais brasileiros revelou que cerca de 42% dos entrevistados afirmaram que preferem o modelo híbrido mesmo diante de uma proposta de trabalho presencial com remuneração 50% maior.

À primeira vista, o dado parece estranho. Afinal, por que alguém abriria mão de um aumento tão expressivo? Mas, a resposta ajuda a entender uma transformação mais profunda na relação das pessoas com o trabalho.

Nos últimos anos, flexibilidade deixou de ser vista como um benefício e passou a fazer parte da percepção de valor de uma vaga. Tempo, autonomia, qualidade de vida e liberdade para organizar a rotina ganharam peso nas decisões profissionais, por isso, chegam ao competir diretamente com o salário.

Mas o que exatamente esses números revelam sobre o futuro do trabalho? E por que o modelo híbrido de trabalho se tornou tão importante para tantos profissionais?

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Por que 73% preferem o híbrido?

A pesquisa da Tax Group traz o seguinte dado: 73% dos entrevistados preferem o modelo híbrido.

O trabalho híbrido é uma mudança que vem sendo observada, há alguns anos, no mercado de trabalho brasileiro. O modelo combina dias presenciais com dias de trabalho remoto. Mas reduzir essa preferência a uma simples questão de trabalhar em casa seria simplificar demais o fenômeno.

O que realmente agrada os profissionais, não é necessariamente a ausência do escritório, mas a possibilidade de escolher onde trabalhar conforme suas necessidades. Em determinados dias, o home office pode ser a melhor escolha. Já em outros, faz mais sentido utilizar um escritório corporativo, uma sala privativa ou um coworking que ofereça estrutura adequada para reuniões, concentração ou atendimento a clientes.

Essa percepção aparece em outras pesquisas recentes. Um levantamento da Serasa Experian, realizado com 3.828 brasileiros, mostrou que 37,3% acreditam que o trabalho híbrido ou remoto será o principal fator de impacto em suas carreiras até 2030. Já dados da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH Brasil) indicam que 46,2% das empresas brasileiras já adotaram o modelo híbrido.

Esses números revelam que a flexibilidade no trabalho deixou de ser só uma tendência e se tornou parte da expectativa dos profissionais. Tanto que hoje a questão não é mais se é presencial ou remoto e passou a ser como equilibrar colaboração, produtividade e qualidade de vida dentro de uma rotina mais flexível.

As pessoas estão buscando mais controle sobre a própria jornada de trabalho. E, para uma parcela crescente dos trabalhadores, isso passou a ter valor comparável ao de um aumento salarial.

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A conta: o que o presencial custa de verdade?

Quando alguém recusa uma vaga presencial com salário maior para manter uma rotina híbrida, a primeira reação costuma ser pensar que a decisão não faz sentido financeiramente. Mas a conta é mais complexa do que parece.

Trabalhar presencialmente 5 dias por semana gera uma série de custos, que muitas vezes passam despercebidos, no momento de comparar propostas de emprego. Isso porque transporte, alimentação fora de casa e o próprio tempo gasto em deslocamentos precisam fazer parte dessa equação.

Segundo dados da Ticket Transporte, um trabalhador que depende de 2 modais de transporte público em grandes cidades pode gastar cerca de R$ 450 por mês apenas para se deslocar até o escritório. Quando se soma alimentação fora de casa, esse valor pode facilmente ultrapassar R$ 1.000 mensais em capitais e grandes centros urbanos.

Isso significa que parte do ganho obtido com uma remuneração maior acaba sendo consumida pelos custos necessários para estar fisicamente no escritório todos os dias. Existe ainda um fator que raramente aparece nos cálculos: o tempo. Horas gastas diariamente em trânsito deixam de ser utilizadas para:

  • Descanso
  • Atividades pessoais
  • Estudos
  • Trabalhos complementares

Por isso, para muitos profissionais, o modelo híbrido não representa apenas mais conforto. Ele funciona como uma forma de preservar renda e qualidade de vida ao mesmo tempo.

Já quando os dias presenciais são reduzidos, os gastos com transporte e alimentação também diminuem. Parte da economia gerada pelo trabalho híbrido pode compensar uma diferença salarial que, no papel, parecia muito maior.

Talvez seja justamente por isso que tantos profissionais estejam atribuindo valor econômico à flexibilidade. Os dados mostram que o debate entre modelo híbrido versus salário não é apenas emocional, mas para muitas pessoas, trata-se de uma decisão financeira bastante racional.

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As pessoas preferem aumento de salário ou trabalhar em modelo híbrido?

A pesquisa da consultoria Tax Group para o Valor Econômico revelou que, quando os profissionais brasileiros precisam escolher entre um trabalho híbrido e uma vaga totalmente presencial com remuneração 50% maior, a maioria ainda opta pelo salário.

Mas o dado mais interessante está no outro lado da pesquisa: 42% afirmaram que prefeririam manter a flexibilidade do modelo híbrido mesmo abrindo mão desse aumento. Já quando a compensação financeira deixa de existir, 73% dos entrevistados escolheriam o híbrido como modelo de trabalho principal segundo o mesmo levantamento.

Ou seja, a flexibilidade, para uma boa parcela dos profissionais, já faz parte do pacote de valor oferecido por uma empresa. E os dados da Robert Half reforçam essa percepção. Entre os profissionais que pretendem trocar de emprego em 2026, a possibilidade de trabalhar de forma remota ou híbrida aparece em 31% das motivações, empatando com busca por novos desafios profissionais, e atrás apenas de crescimento na carreira (45%) e aumento salarial (42%).

O que esses números mostram é que o salário continua sendo um critério importante, mas não é mais o único. Cada vez mais profissionais avaliam a proposta de trabalho de forma mais ampla, considerando aspectos como:

  • Autonomia
  • Qualidade de vida
  • Tempo disponível
  • Flexibilidade para organizar a própria rotina

Portanto, para muitos profissionais, a prioridade deixou de ser quanto a empresa paga, e sim como o trabalho se encaixa na vida das pessoas.

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Comparação entre trabalho remoto e ambiente profissional: à esquerda, homem trabalhando em casa enquanto lida com interrupções de filhos e cachorro; à direita, o mesmo profissional participa de uma reunião com clientes em um coworking moderno, organizado e adequado para encontros de negócios.

O papel do espaço físico numa rotina híbrida

Nos dias de home office, surge um ponto importante: nem todo profissional possui em casa um ambiente adequado para atividades que exigem concentração, como videoconferências ou atendimento a clientes.

Questões como espaço limitado, interrupções domésticas e dificuldade de separar vida pessoal e profissional podem se tornar verdadeiros desafios ao longo do tempo. Talvez por isso, a discussão sobre flexibilidade tenha deixado de ser apenas uma questão de onde trabalhar e cada vez mais, ela envolve ter acesso ao ambiente certo para cada tipo de atividade.

Um indicativo dessa tendência aparece em uma pesquisa da Workplace Intelligence, segundo a qual 64% dos profissionais em modelo híbrido estariam dispostos a pagar do próprio bolso para utilizar espaços de coworking quando necessário. Isto é: a flexibilidade não eliminou a importância do espaço físico. Pelo contrário, ela ampliou as opções disponíveis.

Em alguns dias, o trabalho remoto pode funcionar perfeitamente. Em outros, uma sala privativa, uma estação de trabalho em coworking ou um ambiente profissional para reuniões pode oferecer melhores condições para executar determinadas tarefas.

Dessa forma, os espaços profissionais flexíveis deixam de ser apenas uma alternativa ao escritório tradicional e passam a fazer parte da infraestrutura que sustenta o próprio modelo híbrido de trabalho.

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O que as empresas estão fazendo (e o risco de ignorar a preferência dos profissionais)?

Enquanto os profissionais demonstram preferência crescente pela flexibilidade, muitas empresas seguem em outra direção. A pesquisa Anywhere Office 2024, da KPMG, mostrou que 80% das empresas planejavam, pós-pandemia, retorno ao modelo presencial, e frente a um cenário onde profissionais passaram a valorizar mais a autonomia sobre onde e como trabalham, isso cria um cenário de descompasso.

Ignorar essa mudança pode ter custo. Em um mercado no qual salário, crescimento e flexibilidade já aparecem juntos na decisão de carreira, empresas que tratam o modelo híbrido apenas como concessão temporária correm o risco de perder talentos.

Portanto, a questão não é escolher entre escritório ou home office de forma rígida. O desafio, daqui para frente, está em criar modelos de trabalho que reúnam colaboração e presença, sem desconsiderar o valor que a flexibilidade passou a ter para os profissionais.

Repensar o espaço físico

Estruturar bem o modelo híbrido passa, em boa parte, por repensar o papel do espaço físico. Não é manter um andar inteiro ocupado o tempo todo, nem abrir mão de qualquer estrutura. É aí que entram os modelos flexíveis: uma sala fixa pra quem precisa de base, salas de reunião reservadas só nos dias de encontro presencial, endereço comercial sem o custo de um escritório próprio.

A Solution Indoor trabalha nesse formato em Ribeirão Preto, com a estrutura externa que o home office sozinho não dá e a flexibilidade que a volta forçada ao presencial costuma ignorar. Para empresas, é um espaço para manter presença e cultura; para o profissional, é ter onde receber um cliente ou trabalhar de forma estruturada com conforto e facilidade.

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