O que motiva os funcionários a irem ao escritório hoje em dia?

12/03/2026 -Novas formas de trabalhar
Profissionais trabalhando em estações individuais em um escritório moderno, representando o ambiente de trabalho presencial no contexto do trabalho híbrido e da cultura organizacional.

Se você lidera pessoas, provavelmente já ouviu duas versões da mesma história: a primeira diz que o retorno ao trabalho presencial serve para “aumentar foco”, “melhorar produtividade” e “evitar dispersão”; a segunda, mais ácida, diz que é sobre controle. O problema é que essas duas leituras batem de frente com o que os dados mostram.

Neste artigo, você vai entender a principal motivação dos colaboradores em retornar aos escritórios e como utilizar essa informação para estruturar ambientes de trabalho mais motivadores.

Por que as pessoas estão voltando aos escritórios?

O estudo Gensler Workplace Survey, realizado em 2025, indica que o principal motivo para o retorno das pessoas ao escritório é a socialização. Isso acontece pois o escritório resolve necessidades humanas e de equipe que o trabalho remoto raramente cobre bem: convivência, alinhamento, trocas rápidas e construção de vínculos. O “ir ao escritório” passa a ter cara de encontro intencional, não de rotina obrigatória.

Esse ponto fica bem claro quando a pesquisa mostra quais interações pesam mais no motivo de presença: reuniões de equipe agendadas (42%) aparecem como principal razão, seguidas de conversas agendadas com 2–3 pessoas (40%) e conversas individuais informais (37%). Não é “silêncio para executar”, é gente com gente.

O erro das empresas ao interpretar o retorno ao trabalho presencial

O erro mais comum é achar que a presença física está associada a maior vigilância, controle indireto ou supervisão constante do colaborador. Essa lógica parte da ideia de que estar junto equivale a trabalhar melhor, quando, na prática, os dados mostram outra realidade. Essa crença cria políticas rígidas que geram frustração, pois tentam usar o escritório como remédio para problemas de gestão, clareza de metas e comunicação.

O relatório de 2025 traz uma frase que ajuda a colocar o pé no chão: desafios persistentes continuam existindo, como ruído, distrações e falta de espaços disponíveis para trabalhar. Ou seja, o escritório pode atrapalhar o foco se for mal planejado. A presença não “corrige” isso.

Retorno presencial é sinônimo de mais foco?

Não. O foco individual não depende do escritório e raramente é o principal motivo que leva alguém a sair de casa para trabalhar presencialmente. Atividades que exigem concentração costumam funcionar bem fora do ambiente social do escritório, desde que o profissional tenha estrutura adequada.

O dado central do estudo da Gensler reforça justamente o contrário: o valor do presencial aparece quando o trabalho exige interação. O escritório é, por definição, um espaço social. Insistir no argumento do foco como justificativa para o retorno costuma gerar frustração, porque coloca pessoas em um ambiente coletivo para executar tarefas que poderiam ser feitas de forma mais eficiente em outros contextos.

O que os dados dizem sobre o motivo real do retorno aos escritórios?

Os dados do Global Workplace Survey apontam que o valor do escritório está na experiência e na qualidade das interações. O relatório trabalha com dois eixos, efetividade do espaço (WPI) e experiência percebida (EXI). Quando os dois sobem, o comportamento muda.

Em vez de comparar ambientes “bons” e “ruins” apenas como classificação, o estudo analisa como a experiência percebida no escritório influencia comportamento, vínculo e permanência. Profissionais que avaliam seu ambiente como positivo demonstram níveis significativamente mais altos de engajamento emocional, orgulho pela organização e intenção de permanência.

Segundo o relatório, pessoas que trabalham em escritórios bem avaliados são 1,5 vez mais propensas a permanecer na empresa no ano seguinte e 90% relatam sentir orgulho da organização.

Socialização, colaboração e convivência lideram a lista

Os dados mostram que a presença no escritório está diretamente associada a comportamentos coletivos. Em ambientes bem avaliados, 70% dos profissionais afirmam que o espaço favorece experimentar novas formas de trabalhar, como alternar entre tipos de ambiente, realizar alinhamentos presenciais rápidos e colaborar de maneira menos engessada. Em locais mal avaliados, esse índice cai para 14%, indicando que o escritório passa a ser usado apenas de forma básica e limitada.

O mesmo ocorre com encontros espontâneos. Em escritórios com boa experiência, 69% dos profissionais relatam facilidade para realizar reuniões rápidas e improvisadas, enquanto esse número cai para 27% em ambientes considerados ruins.

Equipe colaborando em volta de um notebook em um escritório moderno, ilustrando a volta ao trabalho presencial, o trabalho híbrido e a construção da cultura organizacional.

O escritório como espaço de troca

O relatório chama atenção para um ponto que pega muita empresa de surpresa, a sala de reunião tradicional já não é o lugar ideal para toda interação. Dependendo do tipo de conversa, as pessoas preferem outros formatos, como áreas flexíveis de co-criação e espaços com assentos confortáveis.

Esses dados conversam diretamente com o comportamento atual, encontros curtos, conversas reservadas, alinhamentos de 2–3 pessoas e check-ins rápidos. Um escritório pensado só em mesas e salas formais perde aderência.

O escritório virou um ponto de encontro?

Também! Quando o estudo analisa quais interações presenciais são mais relevantes, as reuniões de equipe agendadas aparecem como principal motivo para ir ao escritório, citadas por 42% dos respondentes. Esse dado é relevante porque reforça o papel do escritório como local de alinhamento coletivo e tomada de decisão.

Logo na sequência aparecem conversas agendadas com pequenos grupos (40%) e conversas individuais informais (37%). O conjunto desses números mostra que a presença está menos ligada à execução isolada e mais à necessidade de resolver trabalho que depende de troca direta, alinhamento rápido e construção conjunta.

Esse desenho muda o papel do ambiente de trabalho, pois ele precisa suportar diferentes tipos de encontro, não só “uma reunião por vez” em sala fechada.

Reuniões presenciais e interações espontâneas fazem diferença?

Reuniões presenciais e interações espontâneas cumprem papéis complementares no trabalho. As reuniões agendadas estruturam decisões, prioridades e responsabilidades. Já os encontros informais resolvem fricções menores antes que elas se transformem em retrabalho, ruído ou longas cadeias de mensagens.

O relatório aponta que 33% dos profissionais colocam reuniões rápidas e improvisadas entre as interações presenciais mais importantes. Esse dado ajuda a entender por que o escritório passou a funcionar como um hub de relacionamento; é ali que pequenas conversas destravam processos e aceleram decisões que, no remoto, tendem a se alongar.

A convivência sustenta cultura organizacional?

Sim, desde que a experiência seja boa. O estudo traz uma evidência forte de vínculo, em ambientes bem avaliados, 90% dizem sentir orgulho da organização. E há reflexo direto em retenção: profissionais em “ótimos locais” são 1,5 vez mais propensos a permanecer na empresa no ano seguinte.

Esse recorte é o ponto que muita liderança subestima: cultura não se “instala” no Slack. Ela se constrói no dia a dia, com convivência que faça sentido.

Trabalho individual está ficando cada vez mais descentralizado

O escritório deve ser considerado como parte de um sistema, não como centro obrigatório de produção. Inclusive, em muitos casos, o trabalho solo pode ser mais eficiente fora do escritório se o ambiente presencial não oferecer condições básicas. De acordo com o estudo, muitos locais ainda falham com relação a itens considerados “não negociáveis” em um local de trabalho como: ruído, distrações e falta de espaços adequados.

Em outras palavras, o escritório precisa justificar a ida. Quando a justificativa é só “sentar na mesa”, a adesão cai.

Quando o escritório não é o melhor lugar para focar?

Quando o local não resolve acústica, privacidade e disponibilidade de espaços. Também quando todo mundo tenta fazer seu trabalho individual no mesmo horário, no mesmo tipo de estação. O relatório chama atenção para decisões guiadas por disponibilidade, não por adequação, muita empresa escolhe onde reunir pessoas porque é o que sobrou, não porque é o melhor tipo de espaço para aquela atividade.

Por que obrigar o retorno sem propósito costuma falhar?

Porque cria uma troca ruim. A empresa pede deslocamento, tempo e custo pessoal. Em troca, oferece o quê? Se o escritório não entrega valor de convivência, colaboração e experiência, a presença vira atrito. A discussão passa a ser sobre dias na semana e não o resultado que sai dali.

O próprio relatório reforça que locais de trabalho bem avaliados aumentam a sensação de valor, energia e engajamento. Quando a experiência é ruim, o oposto tende a acontecer, o escritório vira palco de ruído e irritação.

O que torna a convivência presencial valiosa de verdade?

Convivência presencial gera resultado quando tem desenho de experiência. O relatório aponta três direções bem práticas:

  • corrigir os não negociáveis
  • criar abundância de espaços adequados para cada tipo de encontro
  • oferecer experiências compartilhadas positivas

Um dado que ajuda a aterrissar essa ideia é a diferença entre “ambiente ruim” e “ambiente ótimo”. Quando a experiência é boa, 86% dizem que o local permite fazer o melhor trabalho, contra 32% quando a experiência é ruim. E 85% dizem que o local inspira novas ideias, contra 24% no grupo de experiência ruim.

Espaços precisam facilitar encontros, ou virarão obstáculo

Áreas flexíveis de co-criação aparecem como as mais efetivas para ambientes de trabalho que buscam se tornar espaços de motivação e colaboração. Essas áreas podem ter diferentes configurações de mesas, cadeiras, pufes, sofás, não necessariamente ficando daquele padrão engessado de escritório.

Se a empresa quer presença para colaboração, o ambiente precisa ter “palco” para isso. Caso contrário, a equipe se reúne no canto que der, e a frustração vira rotina.

Ambientes mais flexíveis ganham preferência

Quando o relatório fala em ambientes mais flexíveis, não se trata apenas de conforto físico. Flexibilidade, nesse contexto, está ligada à possibilidade de usar o espaço de diferentes formas, conforme o tipo de interação necessária. Áreas de coworking espaços para conversas reservadas e ambientes que permitem reuniões rápidas aparecem como mais eficazes do que salas tradicionais usadas para todo tipo de encontro.

O dado central aqui é que o escritório precisa oferecer opções. Quando a empresa força todas as interações a acontecerem no mesmo tipo de sala, a experiência se torna limitada e pouco funcional.

Como repensar o escritório a partir dessa realidade?

Caso líderes e profissionais de RH passem a questionar qual tipo de encontro a empresa quer provocar quando os colaboradores estão presentes, será possível desenhar rotinas presenciais e produtivas, como dias de alinhamento de time, sessões de co-criação, treinamentos, conversas de carreira e rituais de cultura.

Um ponto que chama atenção no estudo é que a maioria dos escritórios avaliados passou por reformas recentes. 30% dos respondentes afirmam que o espaço foi redesenhado nos últimos três anos, e 35% entre três e cinco anos. Ainda assim, problemas básicos seguem aparecendo com frequência, como ruído excessivo, distrações constantes e falta de espaços adequados para diferentes atividades.

Esse dado ajuda a entender por que muitas políticas de retorno não funcionam. Atualizar o espaço sem resolver questões estruturais não melhora a experiência. Quando o escritório não atende às necessidades reais do trabalho, a presença vira obrigação e não escolha.

Onde encontrar um escritório que faça sentido para o jeito atual de trabalhar?

Se o escritório virou ponto de encontro, o espaço precisa apoiar encontros reais. Isso inclui privacidade quando necessário, áreas que permitam conversa sem atrapalhar quem está trabalhando e infraestrutura que não faça a equipe perder tempo com imprevistos.

A Solution Indoor, em Ribeirão Preto, trabalha com a lógica de oferecer um ambiente de trabalho que favorece convivência com intenção, com salas e estrutura que ajudam equipes e profissionais a se reunirem com mais qualidade.

Para empresas em trabalho híbrido, isso costuma ser o tipo de base que reduz fricção. Dá para manter o trabalho individual descentralizado e usar o presencial para o que o presencial faz melhor.

Conte conosco para manter seus colaboradores motivados e produtivos!