Por que o Nubank, 100% digital, vai gastar R$ 2,5 bilhões em escritórios

28/04/2026 -Espaços e soluções profissionais
Prédio f[isico onde colaboradores podem retornar ao trabalho presencial.

O Nubank anunciou um investimento de mais de R$ 2,5 bilhões nos próximos cinco anos para ampliar e modernizar sua rede de escritórios no Brasil. O comunicado oficial saiu no fim de janeiro de 2026 e detalha um plano que muda completamente a relação da fintech com o espaço físico.

Em São Paulo, a empresa vai ocupar dois novos prédios na região de Pinheiros:

  • Capote 210: edifício de 20 andares corporativos, ocupação a partir de abril de 2026, com cerca de 2.700 postos de trabalho. Vai abrigar um Research Lab voltado à cocriação de produtos com clientes.
  • Cyrela Corporate: torre na Rua Oscar Freire, ocupação a partir de 2027. São 35 mil metros quadrados e capacidade para mais de 3 mil pessoas, incluindo área de eventos, biblioteca, NuCafé e jardim externo abertos ao público.

Com os novos espaços, Pinheiros vai concentrar quatro escritórios do Nubank, totalizando cerca de 5.700 estações de trabalho na capital paulista. Isso representa um crescimento superior a cinco vezes a capacidade atual do banco na região. O plano ainda inclui novos escritórios em Campinas, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, além de expansões no México e na Colômbia.

Por que uma fintech 100% digital decidiu investir em espaços físicos?

O investimento em estrutura física é a consequência operacional de uma decisão tomada antes: a de exigir presença a partir de julho de 2026. A partir dessa data, cerca de 70% dos funcionários do Nubank vão ter que trabalhar dois dias por semana no escritório. Em janeiro de 2027, esse número sobe para três dias.

É um recuo claro de um modelo que o próprio banco tratava como diferencial dentro do setor financeiro. Por mais de cinco anos, o Nubank operou no formato “Nu World”, em que os funcionários só precisavam ir presencialmente uma semana a cada três meses. Era uma das políticas mais flexíveis entre grandes empregadores brasileiros, e foi usada como argumento de atração de talentos durante a fase de crescimento acelerado.

O prédio é a parte visível de uma decisão de gestão sobre como o trabalho vai ser feito daqui para frente.

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Escritório físico padrão com mesa e cadeiras em torno.

O Nubank é caso isolado ou faz parte de um movimento maior?

A decisão de retornar aos escritórios faz parte de um movimento maior. Pesquisa de Tendências 2025 da Catho aponta que 69% das empresas brasileiras planejam manter o regime de trabalho 100% presencial entre 2025 e 2026, um crescimento de 7,3 pontos percentuais em relação ao ano anterior. Nos Estados Unidos, levantamento da FounderReports indica que 37% das empresas americanas já implementaram mandatos de retorno presencial integral, contra 17% em 2024.

No Brasil, o Nubank está em boa companhia entre os grandes:

  • Bradesco: anunciou em dezembro de 2025 o fim do home office para cerca de 900 funcionários a partir de janeiro de 2026, junto com a retomada total do edifício Nova Central, na avenida Ipiranga.
  • Itaú e Santander: ajustaram suas políticas no mesmo período, ampliando o número de dias presenciais obrigatórios em áreas estratégicas.
  • Amazon, Google, Meta, Apple, Dell, IBM: já tinham puxado o mesmo movimento globalmente entre 2024 e 2025. A Dell chegou a exigir cinco dias presenciais para quem mora a menos de uma hora do escritório.

Empresas que adotaram modelos remotos amplos durante a pandemia estão refazendo a conta sobre custo, cultura, controle e produtividade.

O home office realmente acabou?

Não, o modelo híbrido, que combina períodos home office com períodos de trabalho presencial segue como consenso entre quem está no dia a dia.

Pesquisa realizada pela Cisco em 2025 aponta que no Brasil, 75% das empresas acreditam que o modelo de trabalho híbrido é o melhor caminho para reter funcionários; e no mundo, esse número é ainda maior, chegando a 80%.

Mesmo quando empresas anunciam políticas mais rígidas, os escritórios não voltam a operar em capacidade total. A presença se concentra em três dias do meio da semana.

A leitura honesta é que o que está se consolidando não é a volta ao escritório integral, mas um híbrido mais controlado, com regras explícitas sobre quais dias, quem precisa estar onde, e qual o mínimo de presença aceitável. O Nubank é o exemplo perfeito disso: dois dias por semana é muito mais como um reajuste no contrato de presença do que o “fim do home office”.

Por que o Nubank precisa de tantas estações se a presença é só dois dias por semana?

Se 70% dos funcionários do Nubank precisam estar no escritório dois dias por semana, e se esses dois dias se concentram entre terça e quinta, o número de pessoas simultaneamente no prédio nos dias de pico é altíssimo. A presença concentrada em poucos dias gera uma demanda de infraestrutura quase equivalente à do modelo integral. Você só não usa o espaço nas segundas e sextas.

Confira: vale a pena alugar escritório em modelo tradicional?

Escritório físico para retorno ao presencial com mesa e cadeiras, estilo coworking.

Como uma empresa pequena ou média resolve o mesmo problema sem ter R$ 2,5 bilhões?

A maior parte das empresas que está enfrentando essa decisão não é uma fintech bilionária, é escritório de advocacia, consultoria, agroindústria, seguradora, profissional liberal, PME… O dilema de fundo é o mesmo do Nubank, só que em outra escala: como dar ao time um lugar adequado para os dias presenciais sem assumir o custo fixo de um andar inteiro alugado, sem reformar, sem comprar mobiliário, sem contratar recepção, sem gerenciar limpeza, internet, climatização e segurança?

Os fatores que pesam nessa conta para uma PME hoje incluem:

  • Aluguel comercial em alta nas regiões de melhor localização das cidades médias e grandes
  • Custo de manutenção de um espaço fixo, que existe mesmo nos dias em que o escritório fica vazio
  • Ociosidade nos dias de baixa presença, que para muitas equipes representa metade da semana
  • Investimento inicial em mobiliário, instalações elétricas, telecom, divisórias e adequação do imóvel
  • Dificuldade de redimensionar o contrato quando o time cresce ou encolhe
  • Tempo de gestão dedicado a fornecedores, contas, manutenção e tarefas operacionais que não são o core do negócio

Para muitas empresas, esses custos somados não cabem no orçamento de um time de 8, 15 ou 30 pessoas que vai ao escritório dois ou três dias por semana. A pergunta que fica é onde essas equipes vão se encontrar?

O que coworking e sala fixa têm a ver com a decisão do Nubank?

Tudo! Quando uma empresa contrata uma sala fixa em um espaço compartilhado, ela está fazendo a mesma decisão estratégica do Nubank: ter um lugar profissional para o time se encontrar, só que sem precisar erguer um prédio. Quando contrata coworking, está comprando o equivalente proporcional ao “dois dias por semana”, com acesso à estrutura quando precisa, sem manter espaço ocioso no resto do tempo.

Quando faz mais sentido contratar uma sala fixa?

As salas fixas são ideais quando a empresa quer a sensação de escritório próprio, com porta fechada, identidade da marca e estação reservada para o time, sem assumir as obrigações de um escritório próprio. Para advogados, consultorias, seguradoras e empresas que recebem cliente com frequência, a sala fixa entrega presença diária, privacidade e endereço comercial dentro de uma estrutura que cuida de tudo o que não é o core do negócio.

E quando o coworking é a escolha mais adequada?

Um espaço de coworking é perfeito quando a empresa quer presença pontual, alguns dias por semana, sem manter estrutura ociosa nos outros dias. Esse é literalmente o desenho do modelo que o Nubank vai operar nos próximos anos, só que em outra escala. O coworking responde ao mesmo problema com a seguinte lógica: a empresa compra acesso à estrutura quando precisa dela.

O que a decisão do Nubank diz sobre o trabalho em 2026?

A decisão de investir em espaços físicos para comportar o retorno dos colaboradores apenas alguns dias da semana é a consolidação da ideia do trabalho híbrido bem-organizado. É uma decisão que comunica a importância do espaço de trabalho, e da definição clara de local onde as pessoas vão trabalhar, em quais dias e qual estrutura a empresa vai oferecer.

Em mercados regionais, esse movimento também já se reflete na forma como as empresas pensam seus espaços de trabalho. Em Ribeirão Preto, a Solution Indoor acompanha essa transformação ao oferecer estruturas que atendem justamente à lógica do modelo híbrido: ambientes profissionais inteligentes para equipes que não precisam de presença diária, mas que ainda valorizam um local estratégico, organizado e pronto para receber colaboradores e clientes.

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